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Carta de intenções sobre extensão universitária na UNESP
Foi realizado na cidade de Franca/SP, nos dias 24, 25 e 26 de maio de 2010 o I Encontro Discente de Extensão Universitária, com o título “Problematização de enfoques e perspectivas de ação”. O evento nasceu da necessidade da articulação da extensão não só como parte do tripé formador da universidade, mas também como movimento político, que assume seu papel, importância e responsabilidades junto à sociedade, enquanto via de transformação social
O papel da UNESP em relação à extensão é especial. Seus campi foram distribuídos por todo o estado de São Paulo de modo a desenvolvê-lo. Deste modo, a UNESP tem compromisso direto com a extensão, e requer dos envolvidos na questão o entendimento fundamental de que a transformação social deve estar nos preceitos dos grupos e nas finalidades dos projetos desenvolvidos. Isto posto, encara-se como positiva a diferença de perspectivas no desenvolvimento da extensão, mas que por não perderem de vista a questão fundamental já referida, é possível desenvolver a extensão, fortalecendo-a qualitativa e quantitativamente. A própria construção do evento ilustrou que o trabalho com grupos extensionistas com diferentes percepções é possível. De todo modo, um diálogo importante foi iniciado.
O objetivo do projeto, ou seja, a aproximação entre os extensionistas, e o estímulo a iniciativas criativas por parte de todos os estudantes, independentemente do curso ou área que estudam, mostrou–se em seus meandros. É importante que se registre isto, pois o trabalho conjunto dos diferentes grupos que compuseram a organização mostrou que, apesar dos diferentes entendimentos de extensão, todos possuem o intuito da articulação de um movimento extensionista, para que esse tema ganhe seu peso merecido, e que a comunidade discente tenha mais vias de se relacionar.
A extensão tem um potencial infinito de transformar o meio no qual a universidade está inserida. A universidade pública deve manter um fluxo constante de conhecimento e de ação junto à sociedade, sendo um binômio indissociável. A universidade não pode de modo algum se tornar uma ilha, desligada de um todo, mas sim um campo onde a transformação social pode ser iniciada, e vemos que a extensão é a ferramenta para isso.
De nada vale a mente instruída sem as mãos para a ação. As forças geradas dentro dos muros da universidade devem compartilhar conhecimentos em uma via de mão dupla na extensão, trabalhando de modo a direcionar essas forças, que contemplem seriamente a articulação com o ensino e a pesquisa de acordo com as demandas da sociedade. O I Encontro Discente de Extensão Universitária tem como intuito então, criar os mecanismos para que essas forças se articulem e ganhem raízes. A partir do momento que nos comprometemos em conjunto por manter, adequar e melhorar estruturas conseguimos resultados mais efetivos do que se atuássemos sozinhos. A comunicação é um ponto que deve ser forte entre os campi, para que se conheça a extensão como um todo.
O Encontro Discente de Extensão Universitária atua, então, como um congregador de grupos extensionistas, para que se divulguem suas percepções, seus trabalhos e mantenha uma proximidade com o todo, não deixando de lado, todavia, a atenção para a necessidade de se criar espaço formal protagonizado pelos estudantes. Deste modo, é proposta a criação de um Fórum Discente de Extensão Universitária, o qual ocorrerá anualmente, para que se discutam os problemas políticos da extensão na Unesp e que nossas propostas sejam postas em pauta, de modo a articular demandas e culminar em sugestões plausíveis, com o intuito de melhorar a Extensão Universitária na UNESP.
Em discussão entre alguns grupos de extensão foram tiradas algumas necessidades da extensão, para que ela se efetive como prática estudantil. As dificuldades encontradas pelos estudantes ao fazer extensão são grandes e é mister que sejam de conhecimento geral. Um dos pontos acordados como sendo um empecilho ao melhor desempenho da extensão foi relativo à falta de divulgação das alternativas de financiamento dadas pelas universidades e os tramites necessários para obtenção dos mesmos. A informação sobre quais são os direitos da extensão ainda é nebulosa. Visto a situação, é preciso que se crie ou se efetive órgãos que façam essa ligação entre a burocracia e os extensionistas.
A burocracia acadêmica é uma barreira que precisa ser dominada pelos extensionistas. Esta dificuldade repercute na viabilização do acesso dos grupos a comunidade é uma realidade na estrutura universitária, bem como a dificuldade para conseguir uma estrutura que possa atender devidamente as necessidades dos grupos.
Com todas essas dificuldades colocadas à extensão, é preciso, como já foi dito, que ela se organize e se fortaleça como parte importante do movimento estudantil. Fica acordado então que mecanismos de comunicação entre os grupos extensionistas devem ser criados. Como primeiro passo na consolidação dessa comunicação está a criação de um portal onde se registrarão os projetos de extensão, divulgando seus trabalhos e resultados, de modo a facilitar a articulação da mesma.
A perspectiva de continuação desses encontros é compartilhada por todos os membros participantes. É reconhecida a necessidade da discussão sobre a extensão, mas concluiu-se que elaborar uma visão única que contemple todas as percepções de extensão é pretensão. É intuito do evento que ele seja realizado nos próximos anos em outras localidades, para que a discussão seja realizada em outros campi, dando força ao movimento.
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